O que você terá de considerar antes de se mudar para a Europa

20/12/2017

A situação da nossa pátria amada não vai bem - fato tal que já não é um segredo - e com isso aumenta o número de profissionais altamente qualificados insatisfeitos com o Brasil e em busca de uma oportunidade profissional no exterior.

A Europa como um todo está presente no sonho desses profissionais como sendo o local ideal para (re)começar a vida no exterior. Supondo que você esteja buscando oportunidades, ainda morando no Brasil, e disposto a uma mudança de continente, os meus artigos anteriores (aqui e aqui) falam sobre como conseguir uma vaga lá fora. Se você já conseguiu, agora segue aqui uma listinha de opiniões e fatos a serem levados em consideração antes de assinar a carta-proposta.

  1. Prepare-se para trabalhar em outra língua

Com exceção de Portugal, para trabalhar nos demais países da Europa você vai precisar "gastar" o seu inglês - no mínimo. A maioria das empresas - de pequeno porte a grandes corporações - tem o inglês como língua "padrão" no business. Ou seja, a comunicação interna, reuniões e sistemas utilizados podem ser em ingles. Veja bem: podem ser. Quanto mais tradicionalista o país, mais exigência ele terá para com sua língua-mãe, como o Francês ou o Alemão, por exemplo. Neste caso, será importante você dominar o inglês e mais a língua-mãe do país em questão.

Caso o novo emprego conquistado tenha sido em um ambiente internacional, ou seja, onde o foco será no inglês, as chances são altas de você viver em um país onde a língua-mãe sera outra, a qual voce precisará tambem aprender a falar para "se virar" em situações cotidianas, no mínimo.

Meu trabalho atual se dá em um ambiente bastante internacional e corporativo em Bruxelas, onde a língua "oficial" é o ingles. No entanto, são comuns as situações onde almoços entre colegas são discutidos em francês, reuniões que se iniciam em holandês, colegas de equipe que conversam em polonês... e nenhum português, nenhum brasileiro para me dar o prazer de usar a minha língua-materna. Sem falar na padaria, no sapateiro e até nas aulas da academia que são ministradas em holandês.

2. Custo de vida

Em um artigo anterior eu ja havia apresentado o Numbeo como sendo uma ferramenta essencial para aqueles que pretendem emigrar. Com ele você poderá perceber as diferenças no custo de vida entre cidades e países da Europa. Você pode descobrir, por exemplo, que o preço médio de alugueis de moradia em Dublin é 3 vezes mais alto que na cidade do Porto, em Portugal, ou que os preços médios de restaurantes em Bruxelas são 90% maiores do que em São Paulo - SP. Claro que a regra não pode ser aplicada a tudo e existem, sim, as exceções, mas fique atento ao valor que o seu dinheiro tem na cidade de destino.

E agora entra a questão salarial: impostos europeus, em sua maioria, são altos e normalmente o cálculo de um salário líquido envolve diversos fatores (estado civil, filhos, situação do cônjuge etc), mas via de regra considere ficar com cerca de 60% do salário bruto. Você pode utilizar a mesma ferramenta citada acima (Numbeo) para verificar a média de salários líquidos na cidade em questão, e se aquele valor se encaixaria no seu estilo de vida.

3. Cultura

Farão parte da vida de um brasileiro na Europa: ter mais segurança, acesso a uma educação de qualidade, possibilidade de viajar frequentemente... mas também: economia de água e de energia, coleta de lixo semanal ou até mensal (onde a separação incorreta do lixo pode ocasionar em multas), enfrentar baixas temperaturas, pouca oferta (e pouco acessível!) de serviços gerais como faxina, consertos de eletrodomésticos, contabilidade, portaria, babás e cuidadores, entre outros. Portanto, esteja preparado para embarcar em um estilo de vida onde deverá "fazer mais com menos".

O saldo ao trabalhar na Europa, no final das contas, é positivo por conta do desenvolvimento profissional e cultural, mas isso não significa que tudo são flores e que todas as situações são iguais. Pesquise bastante, converse com profissionais que já vivem uma realidade no exterior, mas ainda assim esteja preparado para "surpresas" e para conhecer de fato a realidade de uma vida lá fora.

Ana Czapla
por Ana Czapla

Ana Czapla é Engenheira e trabalha com recrutamento e seleção desde 2012 – no Brasil, em Nova York e agora na Bélgica. De headhunter a job hunter, nestes últimos 5 anos ela já passou por algumas fases diferentes: emprego dos sonhos, desemprego e trocas de emprego e de carreira, e espera poder inspirar alguns profissionais dividindo suas experiências por aqui.


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