O que os recrutadores europeus buscam nos candidatos brasileiros?

20/01/2018

Trabalho Europa

Boa parte dos países europeus hoje vivenciam um boom de vagas altamente especializadas - em quase todos os setores e mercados. A mão-de-obra especializada europeia encontra-se empregada: salvo em algumas exceções como na Grécia e na Espanha, países do Oeste Europeu apresentam baixas taxas de desemprego - em uma média de 7,6% em 2017. Os estudantes das maiores universidades recebem propostas de emprego antes mesmo de receberem o diploma, e são comuns os casos onde eles podem até mesmo escolher dentre propostas salariais diversas.

Engenheiros, técnicos especializados, especialistas em TI e profissionais da saúde já compõem o pool de mão-de-obra em alta procura por países como a Alemanha, por exemplo (fonte: aqui), e a tendência para os próximos anos é a Europa se tornar cada vez mais dependente da mão-de-obra imigrante. Se você vem direcionando a sua busca de oportunidades para o mercado europeu, fique atento aos itens normalmente procurados pelos recrutadores europeus:

  1. Idioma

Como já mencionado em artigos anteriores, mais uma vez estou aqui citando o bom e velho inglês. Não tem como escapar: as chances são grandes de uma vaga especializada na Europa possuir o inglês como requisito mínimo, além de outros idiomas europeus. Neste caso, o nosso português poderia ser uma vantagem - mas infelizmente costuma ser pouco requisitado em países que não Portugal. Portanto, capriche na fluência do inglês (assumindo que provavelmente boa parte das suas entrevistas serão via telefone ou videoconferência nesta língua) e preferencialmente demonstre interesse em aprender ou desenvolver mais algum idioma bastante difundido na Europa, como o Francês ou o Alemão, por exemplo.

2. Experiências

Se você possui experiências internacionais, como intercâmbios, viagens a negócio, ou até mesmo contato direto com profissionais no exterior no âmbito profissional, destaque-as em seu currículo e nas entrevistas. Para o recrutador será importante entender a sua experiência e facilidade em lidar com culturas diferentes, como ao reportar para um diretor americano, ou trabalhar em projetos específicos com colegas holandeses, mesmo que estivesse morando no Brasil. Não esqueça de utilizar exemplos concretos em suas entrevistas e apresente, sempre que possível, dados numéricos para sustentá-los. Esteja preparado para possíveis testes e questionários, tanto técnicos quanto de personalidade, além de business cases nos processos seletivos. O profissional ideal apresentará um bom mix de conhecimentos técnicos e de outros soft skills exigidos pela vaga em questão, como por exemplo gestão de pessoas, foco em resultado ou trabalho em equipe.

3. Atitude

O recrutador precisa ser convencido de dois grandes pontos na sua atitude: a sua flexibilidade (de poder relocar-se para outro país, de trabalhar com times internacionais, de entender uma cultura diferente) e a sua proatividade (de buscar informações, de procurar se desenvolver profissionalmente e aprender novos skills, sejam eles técnicos ou pessoais). Nem todas as empresas (principalmente as menores) conseguirão oferecer um pacote completo de relocação internacional, por isso esteja preparado para ter de arcar com alguns custos de sua mudança - e, se isso não for um ponto negativo para você, deixe claro na entrevista esta vontade de mudar. Ah! E não se esqueça de mencionar quaisquer links legais com a Europa, como uma cidadania europeia, por exemplo.

Ana Czapla
por Ana Czapla

Ana Czapla é Engenheira e trabalha com recrutamento e seleção desde 2012 – no Brasil, em Nova York e agora na Bélgica. De headhunter a job hunter, nestes últimos 5 anos ela já passou por algumas fases diferentes: emprego dos sonhos, desemprego e trocas de emprego e de carreira, e espera poder inspirar alguns profissionais dividindo suas experiências por aqui.


Leia mais